<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	>

<channel>
	<title>CAP4EVER &#187; CAPelão</title>
	<atom:link href="http://www.cap4ever.com.br/categoria/capelao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.cap4ever.com.br</link>
	<description>CAP4EVER</description>
	<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 20:14:04 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.7.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Este não é o meu Atlético</title>
		<link>http://www.cap4ever.com.br/este-nao-e-o-meu-atletico/</link>
		<comments>http://www.cap4ever.com.br/este-nao-e-o-meu-atletico/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 11:28:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CAPelao</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CAPelão]]></category>

		<category><![CDATA[agonia]]></category>

		<category><![CDATA[dezembros]]></category>

		<category><![CDATA[zona de rebaixamento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cap4ever.com.br/?p=19166</guid>
		<description><![CDATA[Mais um Dezembro de agonia bate à porta. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p>Mais um Dezembro de agonia bate à porta e concluo: o Atlético que aí está não é o meu Atlético. Aliás, não é o time dos sonhos de nenhum torcedor. O Atlético que aí está é o espectro pálido de um time que vem definhando.</p>
<p>Nossa maior conquista - o Brasileirão de 2001 - foi o último grande momento de um time que vem nos decepcionando. Dói a gente reconhecer que a tão sonhada estrela amarela tenha se tornado um epitáfio silencioso sobre o escudo Rubro-Negro.</p>
<p>É triste ver um time tão entregue, tão abatido e tão irregular, como é esse atual time do Atlético. O que está acontecendo conosco? O que mudou em nossas mentes desde a conquista maior de 2001?</p>
<p>Chego a pensar que alguns atleticanos se deram por satisfeitos após dezembro de 2001, como se dissessem: &#8220;Igualamo-nos ao Coritiba. Já podemos descansar em paz&#8221;. Mas se fosse para ser igual a eles eu jamais teria escolhido o Atlético Paranaense. Eu escolhi um time marcado pela raça, pela luta, pelo vermelho e pelo preto, cores que explodem em emoção, que mexem comigo e que em muito se distanciam do pálido branco e do pusilânime verde.</p>
<p>Se algum atleticano se contenta em ser igual aos verdes, que corra logo e se junte a eles, pois a mim não agrada dividir uma arquibancada com torcedores que tomam o Coritiba como referencial. Referencial de quê? Queremos muito mais e sabemos que o Atlético pode nos dar muito mais. Mas não esse Atlético que aí está, tão apequenado.</p>
<p>O Atlético que nós queremos é o Atlético da excelência, é o Atlético do Quadrado Mágico, o Atlético que derrubou o muro da vergonha, o Atlético que vai sediar a Copa de 2014 em seu próprio chão. Nós queremos o Atlético do profissionalismo, e não essa caricatura que nos querem empurrar goela abaixo.</p>
<p>Ainda dá tempo de se corrigir o rumo da História atleticana. O Atlético Paranaense é grande demais para suportar experiências. Nós atleticanos, que amamos esse time, que tantas vezes lutamos por essas cores e que dedicamos nossas vidas à causa atleticana, precisamos voltar a ter a alma guerreira que tantas vezes nos fez campeões.</p>
<p>O Atlético deve ter a si como referencial, pois grandeza não lhe falta. O Atlético Paranaense deve se mirar no Atlético de 2001, de 2004 e de 2005 que, contra tudo e contra todos, conquistou um campeonato brasileiro com números incontestáveis e por pouco, muito pouco, não conquistou as Américas!</p>
<p>Atleticanos, nós somos o Atlético e por ele devemos lutar. Só nós sabemos como é difícil ser atleticano em uma cidade autofágica onde tantos agem contra as nossas cores. Inimigos covardes e dissimulados não nos faltam, então que não sejamos nós a engrossar as fileiras daqueles que torcem contra o nosso Furacão.</p>
<p>Mais um Dezembro de agonia bate à porta e escrevi esta coluna para converter minha raiva e minha indignação em alerta para que o Atlético volte a ser forte, pois o Atlético que aí está não é o meu Atlético! Nem o seu!</p>
</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cap4ever.com.br/este-nao-e-o-meu-atletico/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A vida é para frente!</title>
		<link>http://www.cap4ever.com.br/a-vida-e-para-frente/</link>
		<comments>http://www.cap4ever.com.br/a-vida-e-para-frente/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:54:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CAPelao</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CAPelão]]></category>

		<category><![CDATA[atlético]]></category>

		<category><![CDATA[Fluminense]]></category>

		<category><![CDATA[Rivalidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cap4ever.com.br/?p=18079</guid>
		<description><![CDATA[“Quem não sabe virar a página não merece ler o livro”. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p>&#8220;No meio do caminho tinha uma pedra<br />
tinha uma pedra no meio do caminho<br />
tinha uma pedra<br />
no meio do caminho tinha uma pedra.</p>
<p>Nunca me esquecerei desse acontecimento<br />
na vida de minhas retinas tão fatigadas.<br />
Nunca me esquecerei que no meio do caminho<br />
tinha uma pedra<br />
tinha uma pedra no meio do caminho<br />
no meio do caminho tinha uma pedra&#8221;.</p>
<p>(Carlos Drummond de Andrade, in Alguma Poesia, Editora Pindorama, 1930).</p>
<p>&#8220;No meio do caminho&#8221; é o que se pode chamar de poema-escândalo. Publicado pela primeira vez na modernista Revista de Antropofagia, em 1928, deflagrou uma saraivada de críticas na imprensa.</p>
<p>Violentos, irônicos, corrosivos, os críticos simplesmente desancavam o autor dos versos e diziam, em suma, que aquilo não era poesia e que, por extensão, Drummond não era poeta. Reacionários e gramatiqueiros, eles se sentiam provocados pelas repetições do poema e pelo &#8220;tinha uma pedra&#8221; em lugar de &#8220;havia uma pedra&#8221;.</p>
<p>Em 1967, para marcar os 40 anos do poema, Drummond reuniu o extenso material publicado sobre ele no volume “Uma Pedra no Meio do Caminho - Biografia de um Poema” (Editora do Autor).</p>
<p>Vale aqui refletir e questionar. Existiam milhares de poemas modernistas que a crítica conservadora achava ruins ou desqualificava como literatura. Por que, então, detonaram todas as suas baterias contra a pedra no caminho? Seria talvez pelo fato de que Drummond — o mais completo dentre os modernista — pôs realmente o dedo na ferida e incomodava mais?</p>
<p>A resposta me parece óbvia: Drummond era o novo em meio a tudo aquilo que era antigo. Drummond era o novo e era bom demais em meio a tudo aquilo que era antigo e que nem era tão bom assim.</p>
<p>Drummond passou a ser uma ameaça real aos poetas que (apenas) sobreviviam por conta de uma fama que, em verdade, não mais se justificava. Como era de se esperar, Drummond sofreu as piores críticas, as humilhações mais doloridas e as condenações mais imerecidas. Novidade nenhuma: todo mundo que é bom demais incomoda e recebe críticas. Drummond sabia muito bem que o Mundo funcionava assim, mas acusou os golpes ao escrever:</p>
<p>“O jornal governista ridicularizava seus versos,<br />
os versos que ele sabia bons.<br />
Sentia-se diminuído na sua glória<br />
enquanto crescia a dos rivais<br />
que apoiavam a Câmara em exercício.<br />
Entrou a tomar porres<br />
Violentos, diários.<br />
E a desleixar os versos<br />
Se já não tinha discípulos<br />
Se só os outros poetas eram imitados”.</p>
<p>Como ser humano, Drummond se fragilizou, endureceu seus versos e protestou – afinal ninguém gosta de ser o alvo sistemático das críticas, afinal todo mundo tem um coração e ninguém é de ferro a ponto de receber toda sorte de pancadas sem demonstrar sinal de dor. Mas percebendo que a melhor atitude seria o absoluto desprezo, Drummond consignou, em versos, uma auto-absolvição:</p>
<p>“Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou” – e aí tratou de virar a página e noutras páginas escreveu sua Obra, muito mais importante do que os críticos que o atacavam, muito mais contundente do que as críticas que lhe opuseram.</p>
<p>Drummond virou a página e deu aos seus perseguidores/detratores/invejosos a desatenção, o desprezo e a indiferença que eles bem mereciam, ao seguir a velha máxima popular que orienta: “quem não sabe virar a página não merece ler o livro”.</p>
<p>A exemplo do que fez Drummond, parece-me que o Atlético e nós, Atleticanos, devemos aprender a virar algumas páginas, para merecermos ler o livro da vida e, sobretudo, para continuarmos a escrever nossa vitoriosa História noutras páginas, em páginas que estão por vir, sem voltarmos, a todo momento, às páginas tristes de um passado que não precisa ser resgatado.</p>
<p>O Atlético Paranaense renascido das cinzas a partir daquele maio de 1995 passou a ser o novo em um cenário futebolístico antiquado, feito de Clubes que apenas sobreviviam por conta de glórias pretéritas sem nem sequer terem estrutura que suportasse tanta História.</p>
<p>Quando o Furacão se mostrou forte ao Brasil, no campeonato nacional de 1996, deflagrou contra si - por todos os cantos, inclusive aqui em Curitiba - uma saraivada de críticas. O Atlético passou a ser um time “arrogante, corrupto, abusado, irreverente, desonesto, metido a besta e intruso” - ou talvez fosse mesmo uma pedra no meio do caminho. Mas por que criticavam justamente o Clube Atlético Paranaense?</p>
<p>A resposta me parece óbvia: o Atlético - àquela época - era o novo em meio a tudo aquilo que era antigo. O Atlético era o novo e era bom demais em meio a tudo aquilo que era antigo e que nem era tão bom assim. O Atlético – time paranaense, fora do Eixão SP-RJ-MG-RS - passou a ser uma ameaça real aos Clubes que, a duras penas - apenas sobreviviam por conta de uma fama que, em verdade, não mais se justificava.</p>
<p>Como era de se esperar, o Atlético sofreu as piores críticas, as humilhações mais doloridas, as condenações mais imerecidas e toda sorte de manobras contra seus direitos e interesses. Novidade nenhuma: todo mundo que é bom demais incomoda e recebe críticas/retaliações/perseguições.</p>
<p>O Atlético – e quando escrevo Atlético incluo todos nós, Atleticanos - sabia muito bem que o Mundo funcionava assim, mas acusou os golpes em textos de protesto que, diariamente, eram publicados neste site e noutros tantos espaços destinados à opinião da gente Rubro-Negra.</p>
<p>Quantos de nós não vociferamos contra o STJD por ocasião daquele absurdo julgamento em 1997? Quantos de nós não protestamos quando nos tiraram o direito de jogar na Arena na reta final do brasileirão de 2004? Quantos de nós não publicamos textos ácidos contra a diretoria são-paulina por conta da recusa de jogar na Arena a primeira partida decisiva da Libertadores de 2005?</p>
<p>Como seres humanos, fragilizamo-nos, endurecemos nosso discurso e protestamos – afinal ninguém gosta de ser o alvo sistemático das críticas, todo mundo tem um coração e ninguém é de ferro a ponto de receber toda sorte de pancadas sem demonstrar sinal de dor. Mas é preciso que percebamos que a melhor resposta a tudo isso deve ser nosso absoluto desprezo.</p>
<p>“Quem não sabe virar a página não merece ler o livro” e a exemplo do que fez Drummond, parece-me que nós, Atleticanos, precisamos virar, definitivamente, algumas páginas, para merecermos ler o livro da vida e, sobretudo, para continuarmos a escrever nossa vitoriosa História nas páginas, ainda em branco, que estão por vir, sem voltarmos, a todo momento, às páginas tristes de um passado que não deve ser resgatado.</p>
<p>Laranjeiras, novembro de 1996; STJD, 1997; Erechim, 2004; Libertadores, 2005; Matthäus, 2006; Batalha do Olímpico, 2007: nada disso é importante; nada disso pode nos servir de inspiração para escrevermos nosso presente, nosso futuro e nossa História. Precisamos olhar para frente, com firmeza, sem rancores, sem mágoas, com sede de vitórias, e não com sede de vingança.</p>
<p>Quando o Furacão inaugurou a Arena da Baixada, em junho de 99, ela passou a ser o sonho de consumo de todo “time grande”. A cobiça era tanta que todo “time grande” passou a prometer para a torcida uma Arena “como a do Atlético Paranaense”, porém, até hoje, o único time que é dono de uma Arena é o Atlético, os demais são donos de projetos que dificilmente sairão do papel. Isso incomoda!</p>
<p>Quando conquistamos o topo do futebol brasileiro ao erguer a taça do campeonato nacional de 2001, deflagramos contra nós - por todos os cantos, principalmente aqui em Curitiba - uma inveja danada. O Atlético passou a enfrentar, de igual para igual, os times do Eixão. Isso incomoda!</p>
<p>Passamos a ser uma pedra no meio do caminho, viramos alvo de críticas, como era de se esperar, pois firmamo-nos como ameaça real aos Clubes que, a duras penas, apenas sobrevivem por conta de uma fama que, em verdade, não mais se justifica.</p>
<p>Laranjeiras, novembro de 1996; STJD, 1997; Erechim, 2004; Libertadores, 2005; Matthäus, 2006; Batalha do Olímpico, 2007: nada disso é importante.</p>
<p>Precisamos, sim, olhar para frente, com sede de vitórias, e não com sede de vingança. Se acaso nos voltarmos para páginas do passado, que nelas estejam registradas nossas glórias – inspiração eterna – e que não nos detenhamos mais nos borrões deixados por maus adversários que, esquecidos dos bons princípios do esporte, agiram como pichadores, e não como homens; agiram como vândalos, e não como atletas.</p>
<p>Laranjeiras, novembro de 1996; STJD, 1997; Erechim, 2004; Libertadores, 2005; Matthäus, 2006; Batalha do Olímpico, 2007: apenas pedras no meio do caminho e que sobre elas coloquemos uma pedra e uma pá de cal, de uma vez por todas. </p>
<p>Domingo, 15/11/2009, Fluminense e Clube Atlético Paranaense vão escrever uma página inédita, e de fundamental importância, na vida dos dois Clubes. A vida é para frente, sempre em direção ao futuro, e tomara que os deuses da bola estejam do lado Rubro-Negro.  </p>
<p><br class="spacer_" /></p>
</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cap4ever.com.br/a-vida-e-para-frente/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Pomba caga: é a natureza!</title>
		<link>http://www.cap4ever.com.br/pomba-caga-e-a-natureza/</link>
		<comments>http://www.cap4ever.com.br/pomba-caga-e-a-natureza/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 17:13:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CAPelao</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CAPelão]]></category>

		<category><![CDATA[domingo]]></category>

		<category><![CDATA[furacão]]></category>

		<category><![CDATA[Jair Rodrigues]]></category>

		<category><![CDATA[Pomba]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cap4ever.com.br/?p=10663</guid>
		<description><![CDATA[- A pomba nos persegue e estamos vulneráveis...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p>Tenho 65 anos. Ter 65 anos não é bom, mas tem lá suas vantagens. Não pago mais passagem nos ônibus, tenho fila especial no Banco do Brasil e, deixe ver, acho que é só isso mesmo. Ah, não! Lembrei! Tem outra vantagem, sim: convidar as moças, com idades para serem minhas netas, para tomar sorvete, cândida e tranquilamente, à sombra de uma árvore, num domingo à tarde, quando não joga o Furacão. Fiz isso ontem, escondido da minha mulher, é claro, mas fiz. Foi bom. Vou lhes contar.</p>
<p>Ontem, após o almoço, liguei pra uma amiga minha. Bonita. Olhos verdes, fora as pernas (de fora), além da boca carnuda e doutras carnes suculentas e douradas. Os pelos também dourados e o perfume adocicado (pelos, no sentido de cabelos, perdeu o acento? Não sei dizer. Se escrevi errado, perdoem-me: é a idade – 65 anos! E ademais eu não sou o Rafael Lemos). Fui tomar sorvete com uma menina que serve para ser minha neta. Elias e Emílio - velhos amigos, amigos velhos - tremei! Estou com tudo e não estou prosa!</p>
<p>Imensa era a lista de sabores. Eu queria limão, mas claudiquei. Entre manga e graviola, fui de abacaxi: azedo como o limão, mas com o travo doce da manga e a excentricidade da graviola. Envelhecer é um certo abrandamento da alma, é uma flexibilidade que dá na gente à medida que as articulações enrijecem. Envelhecer é não ter que dar satisfações. Fui de abacaxi e ponto final.  Ela, de limão (depois de carambola, de morango, doce-de-leite e cupuaçu). A juventude tem fomes que em nós estão extintas, saciadas, esquecidas ou proibidas pela Medicina.</p>
<p>Tomamos nossos sorvetes à sombra de um ipê amarelo. Aos nossos pés, um tapete de pétalas amarelas, pois ipê amarelo não dá flor roxa: é a natureza, são suas vocações naturais. Eu tinha olhos para tudo, inclusive para o pingo de sorvete que escapou dos lábios da amiga e foi se aconchegar nos seios, pois melhor lugar não haveria naquela paisagem de setembro, às portas da Primavera. Ela recolheu num gesto longo aquele pingo e depois lambeu a ponta do dedo, menina convertida em beija-flor. Senti meu coração bater mais forte, temi pelo pior (antes da paixão, poderia ser um infarto, fulminante. Tenho 65 anos. Ter 65 anos não é bom).</p>
<p>A menina estava quieta, absorta. Olhos no horizonte. Lambia o sorvete furtivamente. Cheguei a pensar que estava entediada, em face da companhia tão vetusta. O que posso eu, no fim das contas, oferecer à moça tão fogosa, se o que era fogo em mim virou fumaça ou cinzas como a cor dos meus cabelos? Arrisquei a pergunta:</p>
<p>- Menina, diz para mim o que é que te aflige, pois teu silêncio é demais para os meus ouvidos.</p>
<p>- Ah, Capelão! Aquela pomba anda nos seguindo! – e disse isso, apontando-me a pomba, esta convertida em seu maior pesadelo.</p>
<p>- Mas e que mal há nisso, menina beija-flor? – quis saber, pois aos meus olhos pomba alguma é ameaça, quiçá incômodo, mas nunca algo que me possa atemorizar.</p>
<p>- A pomba nos persegue e estamos vulneráveis, sentados – em público – sob esta árvore, tomando sorvetes, abertos a todo tipo de ataque que ela possa engendrar contra nós! A pomba é má!</p>
<p>Ouvindo o temor da menina, tive de rir. Quanto mais eu ria, mais a menina beija-flor me censurava:</p>
<p>- Você ri? Ria que a pomba te pega. Ataca a tua cabeça e aí você vai me dar razão!</p>
<p>E eu ria, mas não havia deboche. Era apenas a certeza de que a idade, quando avança, abranda também os medos e substitui todos os nossos inimigos – reais e imaginários – por uma inimiga apenas: a Morte, a quem tememos por pura bobagem, posto que é ela que nos conduz ao Pai e à vida eterna.</p>
<p>E foi justamente quando eu dei a última dentada no sorvete, que a pomba me carimbou a testa, com um tiro certeiro do seu cocô. Tirei do bolso um lenço e limpei a fronte carimbada. Minha amiga-menina ria a ponto de chorar, encolhia as pernas contra o tronco, batia a mão espalmada na coxa e puxava o fôlego para sustentar a gargalhada. Refeita, empreendeu contra mim:</p>
<p>- Viu só, Capelão? Eu bem que te avisei! A pomba cagou na tua cabeça, a pomba estava nos perseguindo, a pomba nos persegue, a pomba é bicho perigoso!</p>
<p>Refeito do golpe, abri um sorriso e disse à bela menina:</p>
<p>- Da mesma forma que este ipê amarelo nos dá flores amarelas, convertidas em tapete, a pomba nos caga na cabeça! O destino do ipê é cobrir de flores a cidade. O destino da pomba é cagar na cabeça alheia, é sujar a cidade, incluindo seus vultos eméritos por ela desrespeitados!</p>
<p>E logo que acabei de dizer isso, o vento sacudiu o ipê, enfeitando os cabelos dela com florezinhas amarelas, como se a natureza também estivesse convertida em beija-flor. Tenho 65 anos. Ter 65 anos não é bom, mas tem lá suas vantagens. Posso convidar as moças, com idades para serem minhas netas, para tomar sorvete, cândida e tranqüilamente, à sombra de uma árvore, num domingo à tarde, quando não joga o Furacão. Fiz isso ontem, escondido da minha mulher, é claro, mas fiz. Foi bom, conforme lhes contei.</p>
<p>P.S.: Ou resumindo tudo, em apertada síntese, à Jair Rodrigues: ”Deixa que digam/Que pensem/Que falem/Deixa isso pra lá/Vem pra cá/O que que tem?”</p>
</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cap4ever.com.br/pomba-caga-e-a-natureza/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Nego Rúbis: Atleta de Jesus!</title>
		<link>http://www.cap4ever.com.br/nego-rubis-atleta-de-jesus/</link>
		<comments>http://www.cap4ever.com.br/nego-rubis-atleta-de-jesus/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 18:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CAPelao</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CAPelão]]></category>

		<category><![CDATA[Anos 80]]></category>

		<category><![CDATA[Atletas de Cristo]]></category>

		<category><![CDATA[Atlético-PR]]></category>

		<category><![CDATA[CAP4ever]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cap4ever.com.br/?p=8791</guid>
		<description><![CDATA[Nego Rúbis, embora alegasse ter apenas 17 anos, era um crioulão que parecia um guarda-roupas embutido. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p>Viviane Hansen: o que tem de bonita, tem de braba! Abri minha caixa de e-mails hoje e estava lá a bronca: “CAPelão, está na hora de ser postada mais uma coluna! Abraços. Viviane Hansen – Coordenadora do CAP4EVER.com”.</p>
<p>Sentiram o tom? Pois é! Nem nos meus tempos de quartel a coisa não vinha assim tão espinhosa! E leiam lá no final: “ABRAÇOS!”. Puxa vida, nem um beijinho, nem um “xau, miguxo”, nem um “ti adolu! =D”, nem nada? “ABRAÇOS. Viviane Hansen!”? Como assim, seu Serafim? Ninguém respeita mais a 3ª Idade?</p>
<p>Mas eu mereço: onde é que já se viu, nos meus 65 anos, aposentado, avô e coisa e tal, resolver escrever colunas? O véio aqui nem sabe pra que é que serve a maldita tecla “F5” – tenho um medo danado dessa tal “F5”, datilografo com cuidado só para não esbarrar na “F5” – mas se mete a escrever colunas!</p>
<p>Apesar de tudo, tenho me saído bem. Contei lá no café da Boca Maldita que faço parte do site CAP4EVER, tirei uma chinfra boa como colunista. Falei que a Viviane Hansen é um broto, mostrei até uma foto dela comigo, mas os companheiros acharam que era minha neta. Minha neta? Pode? Nem os véios se respeitam mais! Falta de ética: Boca Maldita, grande e banguela. Uns invejosos. Isso tem muito. Mas antes que eu esqueça, vim aqui para contar uma história, sob pena de a Viviane Hansen apertar a “F5” contra mim e aí já era o CAPelão, senhores!</p>
<p>O ano era 1984, e se não era 84 era por aí. Naquela época, tornou-se comum esportistas, notadamente os jogadores de futebol, aderirem ao Movimento Atletas de Cristo. O Movimento sempre teve como intuito difundir o Evangelho de Cristo por meio da linguagem universal do esporte, procurando atrair mais esportistas às Igrejas, ampliar a prática desportiva nessas instituições e levar mensagem de paz e amor entre os atletas.</p>
<p>Dentre os Atletas de Cristo, figuras de renome como: João Leite, Baltazar, Mueller, Jorginho e Batista. Na época, fazia 10 anos que eu tinha largado meu ofício de capelão, mas a religião a gente não larga nunca e comigo não foi diferente. Logo de cara, simpatizei com o Movimento Atletas de Cristo.</p>
<p>Ocorre que aqui pelas bandas de Curitiba a onda não tinha chegado e os Atletas de Cristo se limitavam aos clubes de São Paulo e Minas Gerais. A gente sempre circulando pela Baixada, pelo antigo PAVOC, no meio da boleirada e nada de cruzar com um Atleta de Cristo. Até que em fevereiro de 1985, desembarcou nos Juniores do Atlético – vindo de Minas Gerais – Rúbis da Silva Conceição ou “Nego Rúbis”, como ficou conhecido.</p>
<p>Pois bem: Nego Rúbis, embora alegasse ter apenas 17 anos, era um crioulão que parecia um guarda-roupas embutido. Deu no exame biométrico: 1,96m de altura, 96 quilos – números dignos de um tanque de guerra! Chuteiras 45 e por incrível que pareça 32 dentes na boca, coisa rara para alguém de origem tão humilde (aliás, os dentes do Nego Rúbis só foram vistos no exame médico de admissão, pois o sujeito não ria nem se lhe fizessem cócegas, até porque ninguém era maluco de fazer cócegas naquela criança).</p>
<p>Ato contínuo, veio a entrevista com o Professor que coordenava a base. Ao atleta recém chegado, foram feitas pelo Mestre as perguntas de praxe:</p>
<p>- Nome?<br />
-  Rúbis da Silva Conceição – disse o crioulo em voz que parecia um trovão.<br />
- Não seria Rubens?<br />
- Rúbis da Silva Conceição – confirmou o crioulo como se dissesse “Se eu falei que é Rúbis, não é Rubens, porra!”</p>
<p>O Professor, diante da firmeza do negão, quase desmaiou, mas seguiu interrogando.</p>
<p>- Qual sua posição de ofício, Rúbis?<br />
- Zagueiro!<br />
- Central ou quarto-zagueiro?<br />
- Zagueiro! – ratificou o negão querendo na verdade explicar que “Zagueiro é zagueiro e vice-versa!” (e não é que o Professor entendeu no ato a explicação do Nego Rúbis? O que era a didática daquele moço, Amigos! O que era a didática dele!).</p>
<p>Os minutos não passavam na vida do Professor e a entrevista entrava agora nos aspectos mais pessoais do Atleta, assuntos estes sempre delicados, principalmente quando se está diante de um brutamonte como era o Nego Rúbis.</p>
<p>- Rúbis, você é alfabetizado?<br />
- Sei ler e escrever o meu nome – Rúbis. Faço soma e diminuição. Tudo na vida aprendi com Jesus. Tudo que tenho devo a Jesus. Estou aqui por causa de Jesus. Com Jesus eu aprendi a ser zagueiro! Sou Atleta de Jesus!</p>
<p>O Professor, ao ouvir o enorme crioulo - até então ameaçador – falar tanto de Jesus, ficou mais aliviado, se enterneceu, esboçou um sorriso de alívio e, menos trêmulo, disse:</p>
<p>- Que bom, Rúbis! Você é um Atleta de Cristo! Vou te apresentar ao grupo e como há muitos evangélicos por aqui é possível que vocês formem o primeiro núcleo de Atletas de Cristo do Estado do Paraná!</p>
<p>Rúbis ouviu tudo com atenção, fez uma cara de “não estou entendendo esse supracitado todo” e respondeu:</p>
<p>- Sou Atleta de Jesus! Atleta de Jesus! – e ele disse aquilo como se quisesse corrigir alguma coisa que não lhe parecia muito certa na conversa.   </p>
<p>Finalmente, Rúbis foi integrado ao elenco dos juniores e chegara o dia do primeiro treino. A gurizada, em volta do Rúbis, parecia um bando de pigmeus. O Rúbis – com 1,96m de altura, 96 quilos e chuteiras 45 – parecia a “Preta de Neve” no meio dos sei lá quantos anões dos juniores do Atlético. Times formados, coube a Rúbis o colete dos reservas. O professor apitou e deu início ao coletivo.</p>
<p>Na primeira investida do camisa 10 titular, Nego Rúbis deu no meio do guri e até hoje não se sabe se ele foi na bola ou na goela. O piá ficou se contorcendo no gramado enquanto Rúbis, na orelhinha da criança, explicava o lance:</p>
<p>- Jesus me ensinou que a bola passa; o diversário (sic), não! E alevanta (sic) que não foi pra tudo isso!</p>
<p>O Professor, no centro do gramado, queria puxar um cartão para advertir o Rúbis, mas não tinha forças. Queria assoprar o apito, mas não tinha fôlego (nem coragem).</p>
<p>Dois minutos depois, numa jogada pela esquerda, o ponta titular recebeu uma trombada de ombro do Nego Rúbis que fez o magricela camisa 11 sair das quatro linhas e cair na valeta, rolando como se fosse um croquete gigante na farinha de rosca.  </p>
<p>Quando o ponta acabou de rolar (e de se ralar todo) Rúbis, nem aí com os protestos veementes do time titular, meteu a mão esquerda no costado do caboco e levantou o bicho pela camisa num só impulso, como se fosse um guindaste erguendo um poste de cimento. Levantou e admoestou:</p>
<p>- Ocê (sic) para de fumaça que ombro, no futebol, vale! – e dizia isso sem mostrar os dentes, com uma seriedade que era um misto de ódio, de força e de vontade de vencer na profissão.</p>
<p>O treino rolava e os titulares fugiam do Nego Rúbis como o diabo foge da Cruz. Quando faltavam 10 minutos para o fim, houve um escanteio para o time titular. O 9 era um polacão comprido, magro e com pose de artilheiro. Era comprido, mas ficava quase um palmo abaixo do Nego Rúbis. O sol ia alto, afinal de contas era fevereiro em Curitiba.</p>
<p>Escanteio cobrado. O polacão camisa 9 lembra de ter visto a bola sair dos pés do ponta, de ter visto a pelota fazendo a parábola perfeita em sua direção, lembra que o sol estava forte e que ofuscava seus olhos claros de polaco, e que de repente parece ter havido um eclipse, pois o dia virara noite, assim do nada, e lembra que sua vista ficou turva e que depois ouviu um som tipo carro de bombeiro e que depois não viu mais nada.</p>
<p>De fato, a jogada de que se lembrava o polacão tinha sido mais ou menos assim. Digo “mais ou menos assim”, pois eclipse não houve. O que ocorreu foi que o Nego Rúbis subiu lá no terceiro andar e projetou sua sombra no coitado do polacão que viu o dia virar noite, de repente, isto porque levou uma cabeçada na nuca que só não o matou ali mesmo pois a ambulância estava à beira do gramado para o pronto-atendimento (eis aqui o segundo equívoco do polacão camisa 9: não era som de carro de bombeiro, era som de ambulância).</p>
<p>Esse lance determinou o fim do treino e em pouco tempo o gramado estava vazio. Alguns meninos foram ao hospital ver o estado do polacão, outros foram simplesmente embora e Nego Rúbis caminhou, lentamente, para o vestiário, com a certeza do dever cumprido.</p>
<p>O Professor, ao ver que o Rúbis em nada se abalara, revoltou-se. Reuniu um pouco de coragem e seguiu os passos do negão, disposto a lhe passar uma descompostura exemplar no vestiário. O Rúbis já estava só de sunga, quando foi abordado pelo furioso Professor:</p>
<p>- Escuta aqui, ó Rúbis. No primeiro treino você quase matou três colegas de profissão, rapaz! Entrou no meio dos caras, deu pontapé, voadora, meteu o caboco pra fora do campo só na ombrada e, no final, quase rachou a cabeça do polacão camisa 9! Qualé a tua, negão? E aquele teu papo de que “Tudo na vida aprendi com Jesus. Tudo que tenho devo a Jesus. Estou aqui por causa de Jesus. Com Jesus eu aprendi a ser zagueiro! Sou Atleta de Jesus!” como é que fica?</p>
<p>Depois de ouvir tudo, Nego Rúbis olhou pro Professor e respondeu:</p>
<p>- Não retiro nada do que eu disse pro senhor! Tudo na minha vida aprendi com Jesus. Tudo que tenho devo a Jesus. Estou aqui por causa de Jesus. Com Jesus eu aprendi a ser zagueiro! Sou Atleta de Jesus e amanhã vou fazer tudo igual, só que com mais empenho ainda!</p>
<p>Ouvindo aquilo o Professor temeu pelo pior, mas ficou sem argumentos. Olhou pro fundo dos olhos do negão e tirou do bolso do agasalho um papel meio amarrotado. Num dos lados havia impressa a imagem de Cristo; noutro, o Pai Nosso. Ele pegou o papel e o estendeu pro Nego Rúbis dizendo:</p>
<p>- Como é que você, sendo Atleta de Cristo, pode fazer em campo tantas barbaridades?</p>
<p>Nego Rúbis pegou o papel das mãos do treinador e olhou, de um lado e de outro, com rara atenção. Deu-lhe as costas e caminhou até o armário. Lá, abriu sua mochila surrada e retirou uma foto. Lentamente, retornou e se pôs diante do Professor. Na mão direita, o papel amarrotado com a oração e a imagem de Cristo. Na mão esquerda, uma foto onde Nego Rúbis aparecia ao lado de um crioulo ainda maior e mais encorpado do que ele.  Depois a explicação:</p>
<p>- Professor, esta imagem que você me deu é de Cristo, Nosso Senhor! Eu conheço Cristo, mas não sou Atleta de Cristo. Eu sou Atleta de Jesus. Jesus, Professor, é esse aqui da foto, óia (sic) só pra você ver.</p>
<p>E Nego Rúbis, esticando a foto para o treinador, mostrou-lhe Jesus, um homem negro que, nesta vida, tinha lhe ensinado tudo, inclusive a ser zagueiro!</p>
<p>- Professor, tudo na vida aprendi com Jesus. Tudo que tenho devo a Jesus. Estou aqui por causa de Jesus. Ele que me ensinou a ser zagueiro! Por isso sou Atleta de Jesus! – repetia, orgulhoso e agradecido, Nego Rúbis, enquanto lágrimas lhe corriam pelo rosto indo por fim molhar a face de Jesus estampada na foto que tremia entre as mãos do gigante de 1,96m de altura, 96 quilos, chuteiras 45 e coração de menino. </p>
</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cap4ever.com.br/nego-rubis-atleta-de-jesus/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Muito prazer, eu sou o CAPelão!</title>
		<link>http://www.cap4ever.com.br/muito-prazer-eu-sou-o-capelao/</link>
		<comments>http://www.cap4ever.com.br/muito-prazer-eu-sou-o-capelao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 19:32:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CAPelao</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[CAPelão]]></category>

		<category><![CDATA[CAP4ever]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cap4ever.com.br/?p=4077</guid>
		<description><![CDATA[A história da minha coluna começou na 309 lá da Baixada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p>Muito prazer, eu sou o CAPelão! Meu nome já foi esquecido pelo desuso, pois só me chamam de CAPelão há 45 anos. Radiquei-me em Curitiba em 1964, vindo dos Pampas. Saudades da minha terra, Cruzeiro do Sul-RS. Foi lá que eu nasci, no dia 11 de Fevereiro de 1944, mesmo dia e mesma cidade em que nasceu Mário Celso Petraglia.</p>
<p>Eu o Petraglia fomos colegas de escola e jogamos bola na rua. Na adolescência, paqueramos muito as gurias de lá, umas alemãzinhas-italianadas que botavam a gente louco como o diabo!  O Mário era um guri magro e alto; eu, gordo e mais baixo. No futebol, ele ficava lá na frente tentando gols impossíveis, enquanto eu ficava embaixo dos três paus na dangerosíssima missão de goleiro. Acostumei-me a ver o Mário sempre lá na frente, atacando, sem medo de cara feia, enfrentando a tudo e a todos.</p>
<p>Aí chegou o dia em que cada um foi para o seu lado fazer a vida. Vim para Curitiba fazer o Curso de Capelania Católica. Em 1967, concluí o curso a duras penas principalmente por conta de três disciplinas que me eram por demais antipáticas: Teologia Cardeal, Paracletologia e Regimento Interno das Convenções Católicas. Formado, fui exercer meu ofício na Capelania Militar do Comando da 5ª Região Militar e 5ª Divisão de Exército e lá permaneci até 1974 quando dei baixa e me casei.</p>
<p>Saí da Capelania Militar, mas o apelido trouxe comigo: CAPelão, pro resto da vida. E trouxe mais: o amor a Deus, sobre todas as coisas, e histórias – as mais diversas – pra contar. Aliás se tem coisa que me diverte é contar histórias. Minha esposa diz que eu tenho a boca grande e eu não posso censurá-la, porque sou – de fato – um boca grande! Sempre na vida foi assim: falo demais e me estrepo.</p>
<p>Minha saudosa mãezinha – que Deus a tenha em bom lugar – cansou de me dizer “Menino, quem fala demais dá bom-dia a cavalo!”. E pensam que eu aprendi? Que nada! Falo pelos cotovelos e aí me meto em encrenca. E foi por falar demais que estou aqui hoje, estreando minha coluna no CAP4EVER (como diria o Lula: “Que chique hein?”).</p>
<p>Mas a história da minha coluna começou na 309 lá da Baixada. Era domingo de jogo, um calor dos infernos – que Deus me perdoe de falar calor dos infernos - mas o fato é que tava quente pra chuchu. Fui pegar um chopp de 500ml, isso no tempo que vendiam chopp nos estádios, e do meu lado apareceu uma figura impaciente, pedindo também um chopp do mesmo tamanho.</p>
<p>A moça que nos atendia era linda e desastrada na mesma proporção, acho que era novata, e isso fazia com que o atendimento demorasse além do normal. O impaciente freguês do meu lado – aparentando metade da minha idade - puxou conversa, pois via que a coisa não ia pra trás, nem pra diante.</p>
<p>- O senhor não acha que esse tal Bob Fernandes é uma grande besta quadrada?</p>
<p>Foi a partir desta pergunta que conheci o meu amigo Catraca, lá da 309. O Catraca é outro boca grande, devia se chamar Matraca, e acabou que a gente ficou amigos, embora ele tenha idade para ser meu filho. Depois conheci o restante da turma da 309, gente boa e cordial (a Vivi, se tivesse um palmo a menos de altura e uns 20 anos a mais, virava minha namorada no ato, isso se eu fosse solteiro, é claro, coisa que não sou, conforme já lhes disse).</p>
<p>E como eu me enturmei com a galera, não demorou a vir à tona o meu jeito falastrão. Contava histórias, tomava chopp, saía com a turma, até que o Catraca – mas é sempre o Catraca! – me intimou a participar do CAP4EVER como colunista. Aceitei o convite na hora, mas impus uma condição: “Quero escrever sob o pseudônimo de CAPelão, pois meu nome já foi esquecido pelo desuso, só me chamam de CAPelão há 45 anos, desde que me radiquei em Curitiba em 1964, vindo de Cruzeiro do Sul-RS, onde nasci, no dia 11 de Fevereiro de 1944, mesmo dia e mesma cidade em que nasceu Mário Celso Petraglia”.</p>
<p>E como a condição foi aceita, virei colunista e cá estou – e estarei por muito tempo, se Deus quiser. Muito prazer, eu sou o CAPelão, dono de uma boca grande cheia de histórias para lhes contar. O pepino é usar esse tal de computador e seus “print screen”, “delete”, “page down” e “pause break”, teclas feiosas.</p>
<p>A única tecla que eu gosto é a “CAPs Lock”, que eu ainda não sei bem pra que serve, mas que, na minha livre tradução, quer dizer “CAPelão é Louco”, louco de amor pelo CAP, CAPelão é CAPs Lock! O pepino é usar esse tal de computador! Mas se você, querido amigo, está lendo a minha estréia, é sinal que “eu consegui fazer meu login com sucesso, botar no ar o post e incluindo as tags!”, apesar dos meus 65 anos de idade!!! Como diria o Lula: “Que chique hein?”.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cap4ever.com.br/muito-prazer-eu-sou-o-capelao/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
