
Sou o membro mais velho da Família CAP. Meu ingresso ocorreu graças ao sistema de cotas previsto no Estatuto do Idoso. Não há consenso sobre a minha idade. O CAPetinha afirma que eu tenho quinhentos anos. O CAPolêmico, como era de se esperar, diverge, estabelecendo como provável dois, no máximo três séculos. O CAPelão e o CAPsula, ás e rei do ceticismo, dizem que eu não existo. O CAPirata também, mas cita o óbito como causa.
Eu acho que essas opiniões são bastante exageradas. Ademais, conforme o Billie Burke, a idade não tem a menor importância, a menos que você seja um queijo. O meu nome, escriturado em livro próprio de tabelião juramentado, e confirmado por salpicos de água benta em pia paroquial, é Ponciano de Menezes Paixão.
Ponciano, por homenagem ao meu avô materno, Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, homenzarrão de barbas longas e de terras com muitas medidas, no Sobradinho, onde reinava como herói graças ao renome de grande caçador de onças e destemido enfrentador de assombrações de lobisomem, habilidades exaltadas mas nunca comprovadas. Pura bazófia.
O que era certa, e devidamente documentada, era a sua grande predileção por um recurvado de moça bonita, no qual, segundo sua próprias palavras, desejava se afundar de nunca mais ser visto. Nunca mais ! É por esse tipo de safadeza que eu passei a acreditar, agradecido, na infalibilidade do DNA.
Menezes, do meu avô paterno Emilio de Menezes, poeta, boêmio, espirituoso, trocadilhista e frasista emérito, que agregava um sua mesa na Colombo a nata dos intelectuais da belle èpoque. Pelos critérios da petulância e da risível pretensão, ouso dizer que muito pareço com o meu gordo e bigodudo avô.
Paixão, por fim, como tributo ao meu padrinho Catulo da Paixão Cearense, de quem adquiri o gosto pelas modinhas românticas ao violão, os lundus, e pelas pelejas em versos, à guisa do grandes Cantadores do nosso país.
Isto posto, e para cumprir a incumbência a mim delegada, assim resumo o meu perfil de apresentação : boêmio, fanfarrão, galanteador por herança e gosto, poeta satírico e espirituoso, às vezes romântico , além de contador de causos onde a métrica e as rimas tem preferência para ordenar os pensamentos e o palavreado.
Curitibano, estreei meu vagido na Rua Aquidaban, hoje conhecida, segundo o CAPolêmico, como Emiliano Toc-toc, no ano ainda não definido pelos demais membros da Família CAP. Desmamado, mudei-me para o Bigorrilho, à época quase deserto, de tal maneira que o mugido do fordeco do meu pai fazia muito gosto às vacas que abundavam pela vizinhança.
Criei-me, com muita garra e competência, disputando o apojo com a bezerrada, diretamente na fonte. Piá fisicamente bem formado, com algumas ressalvas no quesito altura, graduado com louvor no curso de sacanagens da puberdade, e com mestrado e doutorado obtidos com as teses das safadezas em geral, resolvi conquistar o mundo.
Peguei apenas meu violãozinho e uma sacola contendo os melhores sonhos e um punhado de saudades latentes para futura utilização. No coração, indelevelmente gravada, a minha grande paixão rubro-negra, o Trétis Furacão. Parti, intimorato e confiante, rumo ao destino que tanto me fascinava.
Não cheguei a conquistar o mundo, é verdade, mas vivi intensamente tentando. De um simples e pequeno piá do Bigorrilho, ao vetusto e inexperiente escrevinhador e membro da Família CAP, minha trajetória não foi das piores e dou graças a isso, bem como aos leitores que conseguiram chegar até este ponto final.
04/09/2009 às 16:50:55 |Por Marco Aurélio
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Capoeta, você se entregou, descobri o seu segredo, agora você está em minhas mãos, eu sei o que você fez e sei quem você é....hahahahaha!
Vou dizer algo que já ouviu falar... a gente viaja no tempo com esse texto...
Abraços
Marco "Onda" Aurélio
12/08/2009 às 02:11:18 |Por Aline Trevisan
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Sinistramente maravilhoso, CAPoeta!!!
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